O rio Garaú tem aproximadamente seis quilômetros de extensão
aproveitáveis para a pesca. Seus principais pesqueiros são
os locais com galhadas e pedras. Para quem pesca com iscas
artificiais, os peixes que mais “baterão” serão os robalos;
no entanto, bem no fim da maré vazante é possível fisgar
caranhas de bom tamanho. São comuns nesse rio notícias de
robalos de 10 a 15 kg, fisgados por pescadores amadores.
Quem pesca robalo sabe que embarcar um peixe acima de 6
kg é uma questão de pura sorte, já que, estando perto das
galhadas onde cracas e ostras cortam como navalhas, o robalo
procura essa proteção após ser fisgado, muitas vezes rompendo
a linha. O embarque então é de chance máxima de 10% a favor
do pescador.
As melhores marés, no rio Guaraú, são aquelas que se situam
entre a altura máxima de 1,30 e mínima de 0,60 m. Normalmente,
encontramos essas marés entre o terceiro e o quinto dia
da lua nova. Uma outra dica muito importante para o sucesso
dessa pescaria é que o pescador escolha um dia onde ocorram
duas “viradas” de marés. Por exemplo: tome-se um dia em
que o primeiro reponto da maré cheia ocorra às 3 horas da
manhã. Como sabemos que a corrida da maré tem uma duração
de 6 horas, concluímos então que a vazante ocorrerá até
as 9 horas da manhã. Chegando-se no rio às 5:30 horas da
manhã, por exemplo, teremos um bom período de três horas
e meia para pescar na vazante. O reponto então ocorrerá
às 9 horas da manhã, quando então a maré começará a subir.
Novamente teremos uma corrida de enchente com duração de
6 horas.
A subida da maré não é boa hora para a pesca de robalos,
a não ser na primeira hora, quando a água ainda está se
mexendo, pois será inevitável, nos rios de litoral, que
a água do rio pare de correr, já que pela força da água
do mar ela fica represada. O robalo só “pega” com a água
correndo. Aqui cabe uma boa dica, já que praticamente ficaremos
cerca de 6 horas sem pescar, até que a maré vaze novamente:
tenha a preocupação de levar para a sua pescaria uma boa
quantidade de minhocas – a velha e tradicional minhoca natural.
Suba bem o rio, e lá onde a água estiver completamente doce,
procure um poço com mais ou menos 2 metros de profundidade
( normalmente estão localizados em pequenas curvas ou enseadas
do rio). Com uma vara telescópica ou uma vara de bambu,
linha do tamanho da vara, um pequeno chumbo oliva solto
na linha e um anzol pequeno, isque a minhoca e jogue o anzol
perto da margem.
Com certeza, você não terá tempo de pescar com duas varas,
pois os acarás e lambaris não lhe vão dar sossego. Os lambaris
são da espécie tambiú, e os acarás chegam a quase meio quilo.
A felicidade de pegar um acará grande acontecerá sempre
que os acarás menores derem chance ao grande de achar a
minhoca primeiro que eles. Você poderá passar boas horas
pescando essas duas espécies, até que a maré vire novamente.
Então às 15 horas ocorrerá um novo reponto, começando uma
vazante que permitirá a pesca até o fim do dia, ou enquanto
ainda houver luz.
Os melhores pesqueiros do Guaraú são as pedras, o barrando
alto e as duas curvas acentuadas, com galhadas. Deve-se
usar uma poita para parar o barco nesses locais e manter
uma distância de 20 metros entre o pesqueiro e o barco.
Lembre-se de que os robalos têm portaria do Ibama que os
defende, no que se refere aos tamanhos mínimos. Desta forma,
o robalo do tipo “peva” (é o de cor mais escura) tem tamanho
mínimo de 30 centímetros para captura, enquanto o robalo
“flecha” (é o que tem as barbatanas mais amarelas e corpo
mais fino e comprido), tem o tamanho mínimo de 45 centímetros
para captura.
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